segunda-feira, 26 de junho de 2017

Donald Trump e o Jornalismo Egoísta


Antes do texto em si é necessário uma explicação de por que decidi pô-lo aqui. Há vários dias uma certa jornalista de certo blog jornalístico (a redundância acaba sendo necessária por questões de contexto, mesmo que não haja motivo pra incluir nenhum nome) publicou análise própria sobre o texto “O Jornalismo Pós-Trump”, da jornalista Daniela Pinheiro, revista Piauí. Apesar de não concordar com o posicionamento das mesmas, gostei do texto e postei um comentário, que foi retido pra análise da moderação. Ocasionalmente verificava o que tinha acontecido, e sempre me deparava com a caixa de comentários vazia. Atribuí isso a simples questão de prioridade ao tempo e deixei passar. Hoje, porém, estou mais propenso a aceitar que meu comentário simplesmente não foi aceito pela moderação. Decidi ir direto à fonte e comentar na matéria original da Daniela Pinheiro, no site da Revista Piauí. Pra minha surpresa, não há caixa de comentários. Talvez seja ativa apenas aos assinantes, mas mesmo assim diz alguma coisa sobre esse Jornalismo que escolhe o que quer ouvir e de quem quer ouvir. Não que haja alguma surpresa nisso, mas se trata de algo que valeria uma discussão mais a fundo. E já que, de algum modo, me tornei responsável pela minha própria voz, este é o meu espaço, embora em circunstâncias normais esse post nem sequer existiria. Isso posto de lado, meu comentário acaba se tornando voltado diretamente ao texto original da Daniela Pinheiro, que não é ruim apesar de abordar o problema proposto de um ângulo tanto egoísta. Pelo menos alguém teve senso de apontar uma nova linha de raciocínio.

Uma boa reflexão e um texto muito bem embasado, mas penso que alguns detalhes menores – ainda que relevantes – foram deixados de fora, inclusive pela própria Daniela Pinheiro. Então, se me permite o espaço... [Mantive a frase pra cuidar a fidelidade do texto original, embora seja óbvio que o tal espaço não me foi permitido]
Houve um candidato muito mais bem preparado que Donald Trump pra concorrer pelo Partido Republicano: Ted Cruz. Chegou inclusive a ameaçar derrotá-lo durante as primárias. No entanto, cedeu sua vaga. Por quê? Porque Cruz entendia que os Estados Unidos não acreditariam num Republicano que parecesse só a promessa de uma extensão do Governo Bush, precisavam de alguém que, antes de tudo, mostrasse saber de verdade os problemas do país e como resolvê-los. Se, por milagre, Ted Cruz fosse eleito, seria pouco mais que uma fachada. Trump era o líder que precisavam lançar, e assim o fizeram. O texto fala numa falha do Jornalismo em separar o Trump político do Trump celebridade. Uma falha maior ainda é ignorar que o Trump político NUNCA existiu. Sempre foi o Trump pensador, observador, estrategista e homem de negócios. Manipulou o Jornalismo? É ÓBVIO QUE SIM! PORQUE O JORNALISMO DE HOJE É IDIOTA O SUFICIENTE PRA SER PREVISÍVEL! Sendo eu mesmo um graduando em Jornalismo, posso afirmar sem medo que o desafio principal do jornalista – e seguramente o mais ignorado por uma fatia gigante dos profissionais – é saber o que fazer sem se permitir ficar arrogante. A maior glória de um jornalista é um Pulitzer, e não um texto bem escrito e bem apurado.
Os jornalistas americanos ficaram putos porque os discursos de Trump não eram destinados a eles, e sim diretamente aos potenciais eleitores. O Jornalismo atual não aguenta que a autoridade tenha um canal direto ao público, precisa ser o filtro ou então perde sua razão de existir. Gilbert K. Chesterton (que era jornalista entre diversas outras coisas) avistou isso muito bem quando disse: "O Jornalismo consiste largamente em dizer que Lorde Jones morreu a pessoas que nunca souberam que Lorde Jones estava vivo". Os jornalistas, vamos falar sério, gostam de soltar informações de acordo com o impacto que eles querem que tenha no público. Um exemplo excelente disso é justamente a polêmica do muro. "Ah, é um intolerante, quer fechar os Estados Unidos, não gosta dos mexicanos, não gosta dos latinos", etc. etc. etc.. Tudo porque queria aumentar o controle das fronteiras e manter os imigrantes dentro da lei. Mas o que realmente interessa é: se um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México é uma ideia tão intolerável e preconceituosa, por que as pessoas iriam querer eleger a esposa do homem que teve a ideia original? Convenientemente o Jornalismo deixou essa informação de fora, o primeiro muro foi idealizado E CONSTRUÍDO pela gestão de Bill Clinton. E a primeira vez que se falou numa expansão foi em 2006, quando Barack Obama estava na Casa Branca. E o Jornalismo só viu problemas quando foi Trump que falou nisso.
Baron foi a única fonte dessa matéria que realmente parecia interessado em fazer Jornalismo sério e disse verdades incontestáveis: "Além de sermos ruins em previsões, somos dados a afazer muitas suposições acerca de tudo. É preciso ter muito cuidado com isso [...] O antídoto de previsões erradas é ir para a rua e apurar. Formule perguntas e as responda objetivamente, não presuma nada", a frase mais verdadeira de todo o texto. O Jornalismo um dia serviu pra dizer às pessoas o que estava acontecendo. Em algum momento do caminho esse propósito se perdeu quase que por completo, e atualmente o Jornalismo faz um esforço sobre-humano pra dizer às pessoas o que elas devem fazer. A pior parte é ver quanta gente apoia com fervorosidade o Jornalismo como "quarto poder". Isso é muito prejudicial. Valida o jornalista a fazer quase qualquer coisa porque "o público precisa saber" - e isso simplesmente por que o jornalista quer que seja assim. Depois que Trump foi eleito, os jornalistas tentaram uma última cartada - as promessas de campanha. Quando perceberam que o Presidente eleito estava realmente disposto a cumprir cada uma delas, e que efetivamente estava prestes a cumprir algumas, tudo acabou, os jornalistas finalmente admitiram que não tinham a menor ideia do que ia acontecer a seguir.
O que quero enfatizar com isso é o problema que o Jornalismo tem nas mãos ao se dar uma importância absurdamente maior do que a que realmente tem. "O Jornalismo muda o mundo", "o Jornalismo é o espelho da realidade", "o Jornalismo é o meio de comunicação mais confiável", mas é incompreensível para os jornalistas o fato de que o mundo gira independente da vontade deles. No caso da eleição de Trump, o candidato já sabia que seria vencedor exatamente porque os jornais davam como certa a vitória dos Democratas. Hillary Clinton culpou todo mundo por sua derrota, menos a sua própria inépcia. Chegou-se ao absurdo de recontar os votos em Winsconsin e descobrir mais de 100 votos extras pra Trump. Curiosamente, não há na matéria inteira nenhuma palavra sobre a atuação de Hillary em Benghazi. Engraçado como enchem a boca pra dizer que Trump é “misógino” (isso vindo do mesmo espaço que parece esquecer nossos próprios misóginos, como Lula e Zé de Abreu), mas acha que seria melhor empossar na Casa Branca uma potencial cúmplice de terrorismo – e posso usar exatamente esse termo, porque se a palavra basta como acusação, Trump é tão misógino quanto Hillary é cúmplice de terrorismo.
Donald Trump na Casa Branca representa, sim, uma ameaça direta ao Jornalismo. Não porque aumentará o risco de censura, mas porque forçará o Jornalismo a sair de sua zona de conforto e voltar às raízes, com sapato sujo, trabalho pesado e sem a pretensão de produzir videntes e ‘especialistas’ que sabem de tudo sem realmente saberem de nada. E é justamente por isso que acabo tendo um certo respeito pela Daniela Pinheiro, ainda que discorde categoricamente de quase todas as conclusões dela. Deixou bem clara, sem filtro e sem rodeios, a sua posição ideológica, o que é bastante honesto considerando todos os outros que ainda tentam se esconder naquela cortina de fumaça chamada "imparcialidade", obviamente inexistente. E, trazendo Chesterton de volta: "O Jornalismo é popular, mas é popular principalmente como ficção. A vida é um mundo, e a vida vista nos jornais é outro".

quinta-feira, 1 de junho de 2017

... E Sherlock Holmes tinha razão...

O maior (tanto de qualidade quanto de barriga) autor de livros da Grã-Bretanha, Gilbert Keith Chesterton, era Jornalista dentre outras várias atividades. Uma de suas frases imortais diz o seguinte: “Não foi o mundo que ficou pior, foi o Jornalismo que ficou melhor”. Chesterton se referia principalmente ao modo como os jornais pareciam mostrar mais precisamente os detalhes da notícia, com menos fantasia e mais informações concretas, de certa forma uma novidade no início do século XX, sucessora de uma época marcada pelo chamado Jornalismo Literário. Jornalismo este que Truman Capote, por alguma estranha razão um dos maiores nomes jornalísticos do século passado, parece ter se empenhado vivamente em trazer de volta em “A Sangue Frio”. A história de como dois asssassinos – Richard Eugene Smith e Edward Perry Smith – invadiram a casa de Herbert Clutter e mataram-no, assim como os demais membros da família, a esposa Bonnie e os filhos Kenyon e Nancy.
Capote dedicou anos de sua vida profissional a pesquisar tudo o que foi possível sobre o massacre da família Clutter, no Estado do Kansas, em 1959. Alguns poderiam ver essa frase e pensar simplesmente que o autor passou horas em bibliotecas e arquivos de jornais ou pendurado no telefone. Bem provável que isso também tenha acontecido, mas também ajudou o fato de que Capote chegou em Holcomb, palco da tragédia, um mês depois de esta ter acontecido, de modo que acompanhou em primeira mão praticamente toda a investigação feita em busca dos assassinos. É importante destacar esse detalhe. Um bom Jornalismo é feito, antes de tudo, com uma apuração que seja no mínimo ótima. O Jornalista que consegue deitar as mãos no maior número possível de materiais relevantes ao seu trabalho pode permitir que a história surja por si mesma, sem praticamente nenhuma interferência de sua parte. E é importante destacar também este ponto, porque existe um mito corrente entre os leigos que se deve, de certa forma, a esta obra: toda informação concernente a um assunto merece ser publicada.
E não, não merece.
Se existe algo de condenável em “A Sangue Frio” é que Truman Capote mostrou ser, se não um sonhador, um mentiroso. Ele promete Jornalismo e entrega um romance água-com-açúcar. Ele teve nas mãos a chance de entregar um material que seriviria de guia tanto de apuração jornalística quanto de investigação policial. Capote preferiu esconder o máximo possível de informações relevantes a respeito do passo a passo da rotina policial e encher o relato de floreios e devaneios. Há de se questionar mesmo até onde podemos confiar no quanto de imersão o autor teve para descobrir cada pensamento e ação ínfima de cada personagem participante da trama. Como, por exemplo, no trecho abaixo:

-Nossa, Kenyon! Estou te ouvindo.
Como sempre, Kenyon estava com o diabo no corpo. Seus gritos subiam pelas escadas:
-Nancy! Telefone!
Descalça e de pijamas, Nancy desabou pelas escadas. Havia dois telefones na casa: um no quarto que o pai usava como escritório, outro na cozinha. (Pg. 22; Editora Abril)

A única informação relevante nesse trecho é o número de telefones e a localização dos mesmos. O resto é apenas uma tentativa de fazer o leitor entender que os Clutter eram uma família interiorana comum com uma rotina comum de família. Algo que poderia ter sido explicado em menos de um capítulo apenas com entrevistas feitas com amigos e vizinhos. Além disso, nesse trecho participam apenas Kenyon e Nancy, ambos mortos durante o ataque. Como Capote saberia todos os detalhes precisos da cena e do ambiente sem pelo menos uma testemunha? Situações assim aparecem em diversas partes do livro, e piora quando o autor embarca em sonhos e pensamentos pessoais dos personagens. É o suficiente para começar a questionar se Capote não aproveitou para tomar algumas “licenças poéticas” em pontos específicos. Mas se isso realmente aconteceu em um livro que deveria ser um relato jornalístico, pode-se questionar a veracidade de TODOS os fatos apresentados ali. E isso por si só é um grande problema.
E assim é explicado o título desse texto ser “... E Sherlock Holmes tinha razão...”. Para quem lembra dos contos do detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes tinha exatamente essa reclamação a respeito dos humildes relatos feitos pelo Dr. John Watson: transformar aquilo que seria uma amostra das habilidades analíticas de uma investigação real em uma literatura comum “que pode muito bem entreter, mas não instruir o leitor”. O livro por si só é uma ótima narrativa, prende a atenção e cumpre o seu papel como literatura. Mas, e faz-se necessário voltar a insistir, “A Sangue Frio” é um romance literário baseado em fatos reais, e NÃO um livro-reportagem, e seria muito mais decente da parte de Truman Capote se tivesse admitido essa verdade desde o princípio.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Será que os Simpsons realmente previram o acidente com a Chapecoense?



Episódio 9 da quinta temporada
“The Last Temptation of Homer”
Exibido em nove de dezembro de 1993

Trecho: Burns demite o seu Supervisor de Vazamentos Perigosos, e precisa substituí-lo por alguém que não lhe custe tanto dinheiro. O estrangeiro presumivelmente russo Zatroy é integrado ao corpo de funcionários. Seu trabalho é dar duro todo dia em troca de “um centavo reluzente”. Nesse ínterim agentes do Ministério do Trabalho invadem a usina e acusam Burns de usar estrangeiros ilegais em trabalhos forçados na usina. É revelado que durante as buscas foi encontrado um time de futebol brasileiro trabalhando dentro do reator. Burns se justifica dizendo que o avião deles caiu em seu quintal.

Time de futebol brasileiro (Chapecoense) – avião caiu numa terra que não lhes pertencia (terra estrangeira; fora do Brasil) – estão presos em trabalhos forçados e não podem voltar pra casa (eufemismo pra “estão mortos”). Seria isso uma previsão?

NÃO, NÃO SERIA!

Já não é a primeira vez que o programa “The Simpsons” é citado como tendo feito alguma previsão estupenda, sendo que a grande maioria já foi desmistificada ou até mesmo derrubada. Copa do Mundo, Vitória de Trump nas eleições presidenciais, Ebola, Onze de Setembro… Todas elas. Vou dedicar um pouco de tempo sobre essa nova “previsão” e mostrar o outro lado da coisa.


Como dito, este episódio foi ao ar em nove de dezembro de 1993. A data é importante mais pra frente. O foco é destacar o seguinte ponto: Burns estava sendo investigado por manter imigrantes ilegais na usina nuclear. O primeiro absurdo satírico é o próprio Zutroy, o russo que Burns descreve como sendo “tão americano quanto a torta de maçã”. Por que um russo e não um mexicano ou qualquer outro latino? Penso eu que foi simplesmente porque esssa piada pode ser explorada de outra maneira. Lembremos dos latinos ilegais. Sempre que alguém fala nisso imediatamente vem à mente os mexicanos, só que os latinos se estendem pra bem mais ao sul. O que seria absurdo nesse caso? Um grupo inteiro de latinos sendo mantidos ilegalmente na usina. Um grupo grande, como um time de futebol? Sim, é suficiente pra essa piada. Então, um time de futebol de latinos, que país vem à mente? Brasil, é claro. Por essa perspectiva, um time de futebol brasileiro sendo mantido ilegalmente pelo Sr. Burns na usina nuclear parece mais claro.

Mas por que um avião?

Vamos imaginar por um instante que isso realmente seja digno de nota. Um homem como Burns não teria interesse num grupo assim a menos que caísse direto no seu quintal. Mas não foi exatamente o que ele disse? “Caiu no meu quintal”. O que ele poderia fazer nesses casos? Avisar as autoridades ou aproveitar a mão de obra praticamente gratuita. E o próprio episódio mostra o que Burns fez.

É uma teoria ridícula? Sim, é forçadamente ridícula, mas ainda é melhor do que aceitar uma ideia ainda mais estapafúrdia que é a “previsão do futuro”. Sem contar outro detalhe: as pessoas estão esquecendo outra coisa que aconteceu naquele ano de 1993, mais precisamente em 27 de abril: a queda do avião que matou a Seleção da Zâmbia. Cada episódio de “The Simpsons” leva seis meses pra ficar pronto, então o programa que foi ao ar em nove de dezembro deve ter sido começado pelo menos em maio. Não seria então uma forma de lembrança aos mortos da Zâmbia? Pouco provável, mas ainda mais possível do que “previsão do futuro”.


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Jogos da minha infância

Esses dias eu parei pra pensar nos jogos que eu jogava antes de me interessar em trabalhar com essa temática, e percebi que eu não tinha uma biblioteca muito variada até um tempo atrás. Em parte por questão financeira, em parte por ainda não entender direito como a internet funcionava. Tive alguns nomes, e acredito que foi uma pitada de sorte que fez com que quase todos eles fossem bons e me troxessem boas lembranças.
Tive um console daqueles que tentam imitar algum mix da Nintendo com a Sony em oito bits e vem com pretensos um milhão de jogos (que na verdade são variações sutis dos mesmos jogos), e dentre eles vinha o “Super Mario Bros” clássico. Um dos maiores arrependimentos da minha vida foi ter me desfeito desse console, fico triste só de lembrar. Nunca zerei o “Super Mario Bros”, sempre travava nas primeiras fases do último mundo, mas me diverti por boas horas ali. Descobri sozinho as Warp Zones e alguns segredos de fase.
Um amigo que eu tinha me deu de presente o “Dracula II” e o “Hitman: Silent Assassin”. O “Dracula II” era muito legal, mas eu não sou muito de jogos de terror e suspense já que eu sou muito medroso. O jogo vinha em dois CD`s e eu nunca conseguia fazer o segundo CD funcionar direito. Já na primeira cutscene travava e eu não podia dar sequência. Já o “Hitman: Silent Assassin” foi talvez o jogo que eu mais aproveitei durante a minha infância. Zerei várias vezes, voltava algumas vezes pra repetir minhas fases favoritas, de vez em quando testava alguns cheats só pelo prazer da bagunça. Me apaixonei demais pela franquia e sonho um dia poder levá-la inteira pra Gaming Room em alguma oportunidade, desde o primeiro até o último.
O primeiro jogo que comprei com meu próprio dinheiro foi “Midnight Nowhere”, e apesar do que eu disse sobre jogos de suspense e terror, tive momentos ótimos com esse jogo. Mas só até o fim da primeira parte, pois depois disso eu fiz alguma coisa errada na gameplay e não consegui mais avançar. O curioso com este jogo é que eu nunca mais consegui instalá-lo em nenhum sistema mais recente, seja Windows 7 ou Windows 10. Só funcionou de verdade no Windows XP, e eu não entendo isso até hoje.
Outro jogo que fez parte dessa época foi “Mini Car Racing”, e é interessante eu falar porque é um joguinho bem simples, mas que vicia de verdade. Aqueles mini carrinhos em alta velocidade se destruindo pela pista. É até hoje um dos melhores jogos que eu tenho.
Criar a Gaming Room junto com o Henrique foi um fator importantíssimo pra eu resgatar essa nostalgia e descobrir o que eu quero fazer dentro do Jornalismo. Quero descobrir mais jogos sensacionais como esses e ajudar outros gamers a conhecê-los também. O bom de eu e o Henrique termos bibliotecas tão diferentes é justamente isso, poder ampliar nossos campos de busca, e isso me anima demais a continuar produzindo conteúdo pro canal. Então que venham os jogos!

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Oração pelo Combate ao Desespero

Livra-nos, Senhor, das garras da vaidade e do egoísmo. Dai-nos a graça de saber levar a verdade do Evangelho mantendo a misericórdia e a piedade. Acendei em nós a luz inspiradora do vosso divino Espírito, guia eterno da humanidade. Mostrai ao mundo a força e a benevolência da tua Palavra e a verdade que liberta.
Virgem Maria, mãe de Deus e da Igreja, ensinai a virtude da paciência e a sabedoria da humildade. Guiai teus filhos despreparados e leva-os ao teu filho salvador. Rainha do Céu, cubra o mundo com seu manto e ensina-nos a ser verdadeiros seguidores de Jesus Cristo.
Santos e Santas, que em vida mostraram como seguir o Evangelho, sejam nossa inspiração diante das dificuldades diárias. Que suas vidas, suas rotinas, seus escritos e suas ações não nos deixem esquecer do Deus que procuramos diariamente. Não busquemos a salvação em pessoas, mas no Criador e único Deus que vocês adoraram e pregaram ao mundo.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Gaming Room



No semestre passado, enquanto cursava cadeira de Administração em Jornalismo sob a tutela da Profa. Ana Cecília, recebi a notícia de que o trabalho de conclusão da cadeira era criar um projeto de empreendedorismo relacionado à comunicação. Paralelo a isso, um colega meu chamado Felipe sugeriu que eu investisse na criação de uma agência de comunicação relacionada ao Jornalismo Gamer, que é bastante primário e falho no Brasil. Me juntei ao meu amigo e sócio Henrique e criamos a Agência de Comunicação Gaming Room, que lançamos como um canal no YouTube com vídeos de análises e gameplays. Hoje ainda somos obviamente pequenos, mas estou pronto pra dizer que é isso o que eu quero pra mim como carreira.
Nossa equipe conta atualmente com quatro pessoas, ainda descobrindo como dar os primeiros passos. Mas quanta coisa já fizemos até agora! Até esta data estamos com 20 vídeos no ar, conseguindo manter a média de um vídeo por semana. Temos página oficial no Facebook e um blog abastecido com a mesma frequência. Nossa primeira entrevista foi com o FunkyBlackCat, o maior YouTuber de Porto Alegre e – provavelmente – da Região Sul. Jornalistas especializados da área já olharam pra nós. Não estamos nada mal pra quem ainda não tem meio ano de vida. Este é só o começo. Queremos fazer história. AVANTE, GAMING ROOM!!!

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O problema do Bairrismo



Sou gaúcho. Tenho muito orgulho em dizer que sou desta terra. Nascido e criado em Porto Alegre. Amo minha bandeira e meu hino. Tomo chimarrão com gosto e não dispenso um bom churrasco. Sei onde fica o Alegrete e recomendo os chocolates de Gramado e Canela pra todo mundo. Mas existe uma coisa no Rio Grande do Sul que, sinceramente, é um problema sério. Sim, sou gaúcho e sou contra o Bairrismo.
Bairrismo, pra quem não está acostumado com o termo, é o excesso de amor pela terra-mãe, a ponto de ser quase um fanatismo. Uma grande parte dos meus conterrâneos sente verdadeira obsessão pelo Estado dito o melhor do Brasil. E nenhuma pessoa dotada de um mínimo bom senso pode fazer um comentário neutro ou mesmo de zoeira sem ser automaticamente chamado de “paulista”. Seja em qualquer área, mais visivelmente em esportes e política.
Durante muito tempo, principalmente em época de eleição presidencial, tenho que aguentar um outro nível de bairrismo: os separatistas. Aqueles que pregam que o Rio Grande do Sul deveria se separar do Brasil e virar um país independente. De novo. Entre 11 de setembro de 1836 e 1º de março de 1845 fomos país independente, tomamos no cu e voltamos com o rabinho entre as pernas. Duvido que fizéssmos melhor hoje. Precisamos do Brasil tanto ou mais do que eles precisam de nós.
Vamos ser bem claros. Amo meu Estado e sinto muito orgulho em ser gaúcho. Só que eu não vou de forma alguma alinhar com essa linha de gaúchos que botam o Rio Grande do Sul no lugar de Deus. A única coisa que isso ocasiona é o pessoal lá de cima torcendo o nariz toda vez que dizemos nosso lugar de origem. Somos um Estado igual a qualquer outro e não podemos nos permitir tamanha arrogância de realmente acreditar que estamos tão acima de alguém.
Porém…


NÓS TEMOS SKIN NO MORTAL KOMBAT X E VOCÊS NÃO!!!!! CHUPA!!!!!!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Resenha do CD "Nós", da Melody

"Nós" - a primeira grande reunião de inéditas do sexteto

Finalmente, chegou a época de apreciarmos o trabalho mais esperado pelos fãs da banda Melody, o primeiro CD! Aqueles fãs que tiraram o escorpião do bolso durante a arrecadação do ano passado – dentre os quais este que vos fala – receberam ontem, último dia do mês de março, o link do filhote em mídia digital, que será disponibilizado ao público na próxima Quinta-Feira Santa. Esta é a preparação pra vinda da obra de arte em mídia física, em data ainda não divulgada. Resolvi, portanto, fazer minha própria análise sobre as 12 faixas e dizer minhas impressões pessoais. Lembrando que comentário crítico não é forçosamente uma ofensa, e tudo é questão de gosto pessoal.

1-A MAIS PEDIDA
Três músicas deste álbum já eram conhecidas anteriormente, por divulgação prévia. “A Mais Pedida” foi escolhida como faixa de trabalho, sendo talvez a que mais foi utilizada nesses últimos tempos como cartão de visita da Melody. E é uma música boa, apesar de não competir com os melhores trabalhos da banda. A letra é curiosa. Por alguma razão estranha, o pano de fundo é algo bastante utilizado no funk feminino, como ressaltado por Leon Martins em alguma de suas reflexões diárias: a imagem da mulher contemporânea como superior e inatingível, com uma vaidade inconsciente e um gigantesco pé na arrogância. A faixa acabou sendo clipada e o resultado foi, na minha opinião, simplesmente grotesco. Se precisarem de alguma referência, é só lembrar o marketing que a Ubisoft fez no ano anterior ao lançamento de “Watch Dogs” e comparar com o jogo completo. Foi bom? Sim, muito, mas não foi tudo o que prometeram.

2-COMO ANTES
É uma agradável volta às origens da banda. Instrumental simples e um destaque vocálico fantástico. Não são poucos no mundo da música que falam sobre perdas e ganhos, mas mesmo assim a Melody provou que ainda é uma excelente contadora de histórias. “Como Antes” é a verdadeira essência, comparável apenas com o que foi feito lá atrás em “A História de Nós Dois”. É uma faixa excelente por si só, e daquelas que valem ser ouvidas várias e várias vezes.

3-MENINAS DE ATITUDE
(Este álbum vai ter um especial de 25 anos de lançamento e eu ainda não vou ter aprendido a diferenciar a voz da Taísi da voz da Maitê) Apesar do título, a protagonista de “Meninas de Atitude” é comparativamente mais humilde do que em “A Mais Pedida”. Essa música é bem mais a cara da Melody levando em conta tudo o que a banda já tinha mostrado em produções anteriores. “Meninas de Atitude” é simplesmente fantástica, tem uma vibe muito atraente e as gurias mostraram um progresso vocálico surpreendente. Sinto muito mais maturidade somada ao que elas já possuíam. E vale um destaque especial ao Bilo, o baixo tá incrível!

4-DESTINY
Podemos resumir “Destiny” em uma única palavra: hipnotizante. É muito simples, em termos, criar uma música que seja boa, mas precisa ser gênio pra criar uma música que tenha sua própria atmosfera. Aquela que realmente te desliga da realidade. “Destiny” deveria ter sido o carro-chefe desse álbum, na minha opinião.

5-LET`S GO! DANCE!
Hum… Encontrei a primeira falha do CD. O início já não tava me soando bem, mas o que veio depois foi curioso. Ouvi a faixa inteira com aquela impressão de “já ouvi isso antes”, até que depois me veio o estalo: forçando um pouco de imaginação, a base dessa música é parecida com “Ne Bouge Pas”, da Celine Dion, que também não foi um bom trabalho dela.

6-PRETTY LITTLE GIRL
Tudo o que eu disse sobre “Destiny” pode ser aplicado nessa faixa também. Que música linda! Me fez lembrar da época em que eu ia nas festas de 15 anos das minhas amigas e fugia pra algum canto tomar água (sou abstêmio, antes que alguém pergunte) e ficar olhando ou a pista de dança ou alguma janela vazia. Só uma coisa me deixou intrigado: quem é a loira citada na música?

7-QUANDO VOCÊ CHEGAR
Essa ficou estranha. É a primeira vez que percebo tamanho desequlíbrio harmônico em uma música da Melody. Aquela beleza característica que sempre sai da fusão entre vozes e instrumentos ficou perdida aqui.

8-FEITOS UM PRO OUTRO
“Nossos corpos fazem mágica quando se encontram…”, eu vi o que vocês fizeram aí! Hahahahahahahahaha! Ah, enfim… Eu falei em “Como Antes” que a Melody ainda é uma excelente contadora de histórias, e “Feitos Um Pro Outro” só confirmou meu pensamento. Um ótimo tema romântico, uma melodia suave e bem distribuída em todos os pontos. Minha única crítica negativa é aquele velho som de dedo arranhando em corda que dá pra ouvir lá no centro do cérebro.

9-POUCO PRA MIM
Não tenho a menor ideia se foi intencional ou não, mas eu gostei muito desse lado mais puxado pro jazz. A Melody tá conseguindo se superar cada vez mais em faixas românticas, o que já é algo natural devido a sua própria formação de três casais. Ou seja, inspiração não vai faltar faça a proteção e deixa a noite te levar. Com certeza um dos maiores acertos do álbum e da própria carreira da banda.

10-SUMMER DAYS
Uma coisa que falta muito hoje em dia são músicas que não sejam somente boas, mas que sejam também divertidas. Quantos artistas existem hoje que sabem aproveitar a música como aquilo que ela realmente representa? “Summer Days” é exatamente isso, uma faixa boa e divertida. Se um dia perguntarem minha opinião, era essa faixa que merecia um verdadeiro clipe.

11-NÃO VÁ
Pra ser bem sincero, não tenho elogios pra essa faixa. Só que dessa vez vou me abster das críticas uma vez que tenho quase certeza de que ela vai ser uma das preferidas da maior parte dos melodies.

12-SONHO
Quero as cifras dessa faixa na minha mesa em cinco minutos. E posso dizer sem ser puxa-saco que essa é oficialmente A MELHOR MÚSICA DA MELODY! Poesia maravilhosa, melodia inacreditavelmente linda, abertura sensacional, tudo 100% excelente! Quem quer que tenha organizado essa soundtrack, merece um bombom de chocolate por ter tido a genialidade de deixar o melhor pro final.

ÁLBUM “NÓS” – IMPRESSÕES GERAIS
 A Melody está pronta pro mundo. Este primeiro CD é uma prova concreta de que o grupo sabe o que fazer e sabe como fazer. São artistas como eles que ainda tem chance de salvar a música nacional. Claro que, uma vez que o cenário musical está sempre em transição, é óbvio que ainda teremos várias progressões a esperar, mas tive quatro anos pra aprender a confiar no trabalho deles. Eu acredito na Melody. Gostei muito do que ouvi e estou particularmente ansioso pra poder ter a mídia física em mãos.

sábado, 1 de novembro de 2014

O dia em que fui staff da Melody

Quem me conhece de perto – ou mesmo quem para pra ler meu blog – sabe o quanto sou fã desse sexteto MARAVILHOUSER chamado Melody. E como tal não poderia deixar de registar a longa madrugada do primeiro dia de novembro, onde eu e minha namorada Rebeca realizamos um almejo particular: fomos “infiltrados” como membros da equipe e assistimos a um show inteiro do grupo na lateral do palco, junto ao backstage. Muito foda, pra dizer o mínimo.
Antes de tudo, há de ser explicado que o convite não foi barato (falo mesmo!). Há algum tempo o grupo abriu financiamento coletivo pra juntar fundos a fim de gravar seu primeiro CD. Cada nível de pagamento equivalia a uma recompensa. Eu e a Rebeca nos juntamos por um único nível cuja recompensa encheu nossos olhos: ser membro da Melody por um dia. CD`s autografados assim que prontos, passagem pro soundcheck do dia, e o show assistido pelo corredor lateral do Opinião (aprendi no dia: um ótimo lugar pra assistir e um péssimo lugar pra tirar foto). Como já é tradicional de fã, ao ter esse tipo de encontro com um artista em algum tipo de admiração, se leva um presente. Nós queríamos fazê-lo, mas o que dar? Pra quem tem conta na Steam, há um software chamado “Manga Maker ComiPo!”, que é basicamente uma plataforma de criação livre em estilo mangá. No dia em que eu o comprei e recebi, fiz alguns testes pra aprender a mexer, e no meio do processo acabei tendo uma ideia. Em pouco mais de uma hora, saiu esta imagem:



Lembrando que o Manga Maker é bem básico e bem limitado, ainda que muito excelente pra fazer muita coisa. Graças a isso eu tive que fazer parecido e não igual – com o agravante de que precisei fazer um ode ao cabelo antigo da Alina, já que não tive como fazer o estilo “cabeceei-uma-aquarela” que ela usa atualmente. Mas sei lá. Eu achei bonitinho. E eles também gostaram, o que foi show de bola.



Entregamos o presente durante a soundcheck feita na tarde do dia 31 de outubro. Digo soundcheck por simples termo, já que acabou sendo algo próximo de um show privado. Dois pedidos nossos – “Let it Go” e “Lady Marmelade” – foram interpretados, e não havia mais ninguém lá a não ser nós e a equipe técnica. Horas depois, já dentro da madrugada de sábado, voltamos ao Opinião pra parte mais importante: The Concert. Estar no camarim, assistindo à preparação dos seis e impregnados do ambiente descontraído e leve, foi tudo indescritível. Acompanhá-los no corredor lateral foi algo único. Pra um amador da música, como eu, foi com certeza mais do que especial poder ver a parte que um fã normalmente ignora.
Cabe aqui um agradecimento, não só aos próprios Bilo, Cacá, Guiza, Taísi, Alina e Maitê, mas também ao Ataliba, que foi um verdadeiro profissional comigo e com a Rebeca, e nos deixou bem à vontade e bem orientados em todos os momentos. Posso dizer sem dúvida que a Melody tem uma mão excelente tendo-o como produtor. E de resto, não tem muita coisa que essa banda possa fazer pra me deixar mais feliz enquanto fã.
Quem sabe, outra regravação dos Bee Gees…

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Gamers brasileiros e a renovação do YouTube

Quando eu era repórter do Editorial J, em 2012, uma das grandes honras que tive foi poder entrevistar Eduardo Benvenuti, produtor de conteúdo do canal BRKsEDU, de quem sou inscrito e grande fã. Esse ano, tive a chance de passar pela mesma experiência, mas com um diferencial: dessa vez, eu pude entrevistar três youtubers de quem sou inscrito e grande fã. Gigaton Games, Davy Jones e Jean Marcel, canais brilhantes e excepcionais, me concederam entrevistas ao longo da semana pra minha matéria de Jornalismo Online, a cargo dos professores Andreia Mallmann e Marcelo Träsel. E como fui autorizado, passo pro Aleatoriedades o resultado desse trabalho, um dos muitos que só me faz ter certeza de que escolhi o curso certo, já que não imagino onde mais estaria tão perto de gente que eu admiro tanto.

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Faltando poucos meses para completar uma década de vida, o YouTube se tornou o mais expressivo sistema de compartilhamento de vídeos no mundo. Diante das mais diversas categorias de arquivos e conteúdos que estão disponíveis no site,  uma em particular teve notável crescimento desde meados de 2010: a indústria dos jogos. Alguns usuários com contas no YouTube faziam uma espécie de Walkthrough em tempo real, como se via em antigas revistas especializadas, de como completar determinados jogos eletrônicos. Isso proporcionou que a geração seguinte começasse a querer simplesmente se divertir enquanto joga, e assim nasceram as gameplays comentadas. Enquanto os Estados Unidos já eram pioneiros nessa prática, brasileiros começavam a dar seus primeiros passos. Atualmente, o país possui uma imensa variedade de youtuber`s que se dividem entre gameplays por esporte, gameplays para instrução e vídeos de humor com jogos, entre outros tipos.

https://www.youtube.com/user/gigatongames

O operador de produção campinense Diego, de 25 anos, é produtor de conteúdo do canal Gigaton Games, que ganhou força depois do lançamento de “Grand Theft Auto V”, ainda no ano passado. Se tornou conhecido por ser um “detetive online”, em busca de segredos, surpresas e erros espalhados pelo imenso mapa da fictícia Los Santos. Depois de duas tentativas sem sucesso de criar um canal duradouro, Diego aproveitou o novo produto da Rockstar Games para fazer nome no YouTube. “Em 2013 seria o lançamento de 'GTA V', e de uma coisa eu tinha certeza: a procura por easter eggs sobre esse jogo no YouTube seria uma coisa fora do normal, era algo grande que estava pra acontecer e eu queria muito participar disso, mesmo que não fosse muito longe”, explica o gamer. A trama protagonizada por Franklin Clinton, Michael de Santa e Trevor Phillips foi um sucesso inegável, e o canal Gigaton Games conseguiu o primeiro grande passo rumo ao futuro ao lado da franquia: “Apos o lançamento do jogo começou essa procura por easter eggs e poucos canais no YouTube falavam sobre isso. Era uma procura maior que a demanda, então eu fiz um video chamado ‘GTA V – 10 easter eggs incriveis (como encontrar)’ e divulguei bastante nas redes sociais. No inicio não deu muito certo, eu consegui dois mil views em uma semana e pensei: ‘fiz minha tentativa’. Mais alguns dias se passaram e fui visitar o canal. O video estava com dez mil views, e comecei a pensar que talvez pudesse dar certo. Foi nesse dia que o Gigaton Games nasceu de verdade. Hoje o video tem mais de 300 mil views”.

Uma das investigações no mapa de "GTA V" feitas pelo canal Gigaton Games

https://www.youtube.com/user/Gameplayrj

A franquia criada por David Jones, Dan Houser e Sam Houser encontrou outro exímio pesquisador no Brasil. O youtuber Davy Jones (cujo nome real preferiu não revelar), do Gameplayrj, aos 26 possui um dos canais referências em exploração do “GTA V”, com o diferencial de jogos como “Surgeon Simulator”, “Plants vs Zombies: Garden Warfare” e o aclamado “The Last of Us”. Talvez o youtuber de atividade mais intensa no Brasil, Davy Jones chega a postar sete vídeos diários, divididos em jogatinas e vlogs de opinião sobre acontecimentos relevantes do mundo dos games. Sobre o que diferencia o seu canal dos outros, o carioca conta: “Acredito que sete videos por dia e o fato de eu ser gamer de verdade, então eu jogo tudo que eu gosto sempre trazendo uma grande variedade além dos vlogs – que praticamente ninguém faz esse formato no Brasil – onde eu dou a minha opinião sobre tudo que eu acho do jeito que eu acho”. Recentemente, recebeu do YouTube a placa comemorativa de 100 mil inscritos no canal Gameplayrj, feito alcançado em dezembro de 2013. É a segunda vez que ele recebe a placa de prata, tendo a primeira sido ganha em seu antigo canal, “DavyJonesRJ”.

Corrida no modo multiplayer feita com o carro vindo da nova atualização

https://www.youtube.com/user/JeanMarcel94

Mas “nem só de GTA viverá o YouTube, mas de todo jogo que procede das desenvolvedoras”. Exemplo claro disso é o youtuber carioca Jean Marcel, de 20 anos, que destila humor e irreverência em todos os vídeos que grava. O canal, de mesmo nome, passeia por títulos como “Saints Row: The Third”, “Battlefield 3”, “Left 4 Dead 2”, além de alguns comparativamente menos explorados como “Sumotori Dreams”, “Castle Crashers” e “Mirror`s Edge”. Mas, ao contrário da maior parte dos produtores de conteúdo do YouTube, Jean não tinha pretensão de se tornar um youtuber e trabalhar com edição. “Tudo começou quando um amigo que já tinha um canal me deu essa ideia, e, de início, não tive nenhuma vontade de criar um canal. Após um tempo, resolvi tentar fazer um vídeo de brincadeira e acabei gostando, e assim fiz outro, e outro, e outro e, quando percebi, já estava produzindo vídeos semanalmente para um certo público”. O primeiro vídeo do canal de Jean, uma descontraída gameplay de “GTA IV”, hoje conta com mais de 21 mil views. Seu vídeo mais popular até o momento é “Far Cry 3 – Caçando Seu Bacon”, com quase 110 mil views. Comparando o início do canal com o trabalho mais recente, Jean Marcel nota uma considerável mudança: “Com certeza [a principal diferença] é a qualidade de comentário e edição. Quando eu comecei, não sabia fazer bons comentários e não tinha nenhuma noção de edição. Hoje posso ver o quanto melhorei em relação a quando comecei o canal. A parte mais difícil na criação e produção dos vídeos, sem dúvidas, é ter ideias inovadoras a cada vídeo. Em certos momentos não vem aquela ideia que você precisa e você fica horas e horas tentando pensar em algo diferente, para não trazer a mesma piada nos novos vídeos”.

Dando uma abordagem inédita ao jogo "Skyrim"

Tanto Diego quanto Jean e Davy Jones, em suas experiências com produção de conteúdo, passaram por um significativo amadurecimento, visível na evolução das postagens ao longo do tempo. Cada qual em seu meio retira um aprendizado e uma vivência. Ao pensarem sobre o que os canais Gigaton Games, Gameplayrj e Jean Marcel trouxeram de produtivo em suas vidas, cada um apresenta uma abordagem pessoal. Diego diz: “Por mais que dê trabalho (alguns videos tomam mais de 15 horas de edição) e tenha pouco retorno financeiro, é sempre gratificante ter um trabalho reconhecido e ver que pessoas estão se divertindo porque você sugeriu algo diferente. Esse é o objetivo do meu canal: Informação e uma proposta que adicione algo mais à sua jogatina, pra que ela se torne melhor e mais interessante do que poderia ser, pra que você tire o máximo do jogo”. Davy Jones, visando o futuro, diz: “Não tenho nenhuma pretensão de parar nunca, quero chegar o mais longe possível, não coloco meta final. Quando a gente ama o que faz é facil produzir tanto. A melhor coisa que o canal me proporcionou foi poder transformar uma paixão minha que, é jogar video game, no meu trabalho”. Jean, por sua vez, diz: “As amizades que fiz no decorrer do tempo. Conheci gente que produzia o mesmo conteúdo que eu e que, hoje, se tornaram grandes amigos na minha vida. A princípio, não quero parar de fazer o que faço no YouTube, então, enquanto eu puder continuar, estarei sempre seguindo em frente, já que batalhei tanto pra chegar aonde estou e dificilmente largarei isso”.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Melody no Superstar - Erros e acertos


No último domingo (a saber, dia oito de junho), a banda Melody encerrou sua participação no concurso Superstar, da Rede Globo, sendo eliminada com ridículos 49% de votos positivos. Não acho exagero nenhum dizer que essa foi a maior injustiça sofrida até agora pelo sexteto em toda sua existência. Durante a eliminatória do dia primeiro, quando o grupo suou frio pra passar raspando com a última vaga disponível, comentei no fã-clube que eles tem capacidade suficiente pra passar sem depender de sorte. O que eu deixei escondido, porém, foi uma conversa que tive com minha namorada na manhã seguinte, na qual eu falei: “A Melody vai ser eliminada no próximo domingo”. E, infelizmente, aconteceu. Como músico amador e como fã, não tenho autoridade pra dizer muita coisa, mas gostaria de poder compartilhar a minha visão sobre a participação da Melody no Superstar, e o que eu sentia vendo o desempenho do grupo semana após semana. Uma análise do que eu considero os erros e acertos, idêntico ao meu post passado sobre a peça “Adolescer”. E, mais uma vez, vamos começar com os erros.
1-MÚSICAS: Eu simplesmente não acredito que estou realmente dizendo isso, mas é um fato: “Emotion”, dos Bee Gees, não foi uma boa escolha de música pra apresentação do dia oito. Pela primeira vez no programa, a Melody não conseguiu votos suficientes pra tela subir e permanecerem na disputa. Mas também é verdade que, dentre todas as faixas escolhidas, apenas “Lady Marmelade” pode ser considerada um acerto. E os 91% de votos que conseguiram nesse dia são prova suficiente disso. As escolhas posteriores – “Crazy In Love”, “Summer Days”, “We Found Love” e a já citada “Emotion” – vieram desencontradas e em momentos inapropriados (embora eu considere que “We Found Love” foi a melhor dentre essas). Na segunda apresentação já deveriam ter escolhido uma música autoral, que com certeza não seria “Summer Days”. Eu só fui entender o motivo dessas escolhas quando, numa quinta de manhã, conversei com o Cacá Lazzari, baterista da Melody. Segundo o que ele me passou, a Rede Globo limitou as bandas do Superstar a músicas de apenas dois minutos. Sinceramente, é uma regra simplesmente idiota. A média de uma música normalmente varia entre três e quatro minutos, não existe muita coisa que possa ser condensada em dois minutos e continuar boa. A própria sugestão de música autoral que eu faria, “Brokenhearted”, cairia por terra devido a isso. Essa limitação forçou a Melody a fazerem escolhas baseadas em outro ângulo, e isso acabou se mostrando muito prejudicial.
2-NERVOSISMO / EXCESSO DE INSERÇÕES VOCÁLICAS: Não sei dizer se esse tópico é decorrente do primeiro, mas foi algo presente e visível em quase todas as apresentações – exceto, e faço questão de reforçar esse ponto, em “Lady Marmelade”. Todos os seis são tarimbados em apresentações ao vivo e fazem o que fazem de forma tranquila e natural. Mas Superstar trouxe algo diferente. Alguns poderiam dizer que começou com o microfone mudo da Taísi na segunda apresentação (êêêêêê, Rede Globo), mas eu não classificaria assim. Nesse ponto, a banda transcorreu de forma fantástica. Mas não conseguiam mais passar aquela costumeira jovialidade de quem está em seu próprio meio. Inserções vocálicas são algo que nós nos acostumamos a vê-las fazer em pontos de música onde é possível harmonizar de forma mais livre, mas houve músicas em que a voz apareceu demais. Seja em apresentações ao vivo, seja em estúdio, seja em livestreams, isso quase nunca acontece.
3-DINHO OURO PRETO: Essa foi inevitável. Nem chega a ser um “erro”, mas com certeza ajudou a afundar os gaúchos. Tudo começou quando a Melody eliminou os afilhados do Dinho durante as disputas diretas. Aparentemente, o jurado assumiu como meta de vida eliminá-los do programa a todo custo. Foi do contra até o fim, e deve ter ido dormir com um sorriso maior do que a boca no domingo passado. A única vez em que votou a favor foi na apresentação de “Lady Marmelade”, novamente citando-a como a melhor performance da Melody no Superstar. Mesmo acreditando que a Melody não estava em sua totalidade, nunca considerei-os ruins a ponto de precisarem sair. Eles me conhecem o suficiente pra não precisarem duvidar de que sou verdadeiramente fã, mesmo dizendo o que eu disse antes. Mas emputecer o Dinho foi, realmente, um azar infeliz.
Nem tudo foram rosas no jardim da Melody, mas felizmente nem tudo foram espinhos. Embora o título do Superstar não seja mais possível, o que a banda lucrou nessas semanas de disputa foi muito maior. Profissional e emocionalmente. Já que eles nunca perdem o espírito de diversão, é compreensível o motivo de, no final, não estarem mais nem ligando pra lanterna em que estavam. E com isso vamos aos pontos positivos:
1-REAL NACIONALIZAÇÃO DA BANDA: Estou quase afirmando que a Melody não entrou nesse concurso com a intenção de serem campeões, e sim de usar a Globo pra carimbar o nome no Brasil da mesma forma que carimbaram no Rio Grande do Sul. E conseguiram de forma majestosa. Agora o sexteto não é mais nosso, é da nação. Conquistaram fãs nos quatro cantos do país, e certamente poderiam ter feito muito mais se conseguissem chegar mais longe no programa. Foi a plataforma perfeita pro anúncio mais esperado do ano: o lançamento do primeiro álbum da Melody.
2-FÁBIO JR.: Não havia melhor escolha de padrinho no Superstar. Um dos nomes mais respeitados da música nacional, talentoso como poucos e que reflete perfeitamente bem a imagem da própria Melody. Se o grupo já consegue abrir portas sozinho, tendo o Fábio como chave podem abrir muito mais.
Torço e sempre vou torcer pelo sucesso da Melody, mas acho interessante notar alguns pontos que a maioria não nota. Não me considero mais ou menos fã devido a isso, e com certeza não me considero mais ou menos entendido por causa disso. Mas realmente espero que eu possa, de alguma maneira, ter ajudado a pelo menos gerar um novo ponto pro debate: o que derrubou a Melody? Bom, bola pra frente. Há um mundo a ser conquistado, e eles recém conquistaram o Brasil.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

ADOLESCER - Erros e acertos

Tive a chance de assistir à peça teatral “Adolescer” na noite de ontem (a saber, 28 de maio), e me surpreendi com o trabalho feito em cima do palco feito por aquele grupo de atores. É simplesmente inegável o motivo do sucesso que essa peça alcançou durante seus doze anos de existência. Uma comédia que cumpre seu papel de comédia. Mais do que isso, um conjunto de esquetes que pode ser renovado de acordo com a época apresentada. Porém, como eu não posso deixar o olhar Católico Tradicionalista de férias, me vejo forçado a reconhecer alguns pontos preocupantes que vi no espetáculo. Devido a isso, achei melhor sentar e escrever este post em particular, pois não quis correr o risco de fazer comentários soltos ao vento e ser mal compreendido depois. Dada a explicação, deixo aqui minhas conclusões sobre os principais erros e acertos da peça escrita e dirigida por Vanja Ca Michel. Como critério de apresentação, vou expô-los na ordem em que as respectivas esquetes foram encenadas. Começo pelos erros:
1-PROMOÇÃO DO HOMOSSEXUALISMO: Dentre todos os tópicos, este é o único que não cito pela cena em si, e sim por uma única frase. A esquete tratou da exposição da homofobia, na figura dos três machões que vão zoar a cara do gay do colégio, o qual responde brilhantemente ironia com ironia. Tinha um mensagem e até que foi bem passada, se concordamos em acabar com o preconceito como um todo. Se terminasse ali, não teríamos do que falar. Mas então veio o posterior monólogo da atriz Luisa Ricardo, do qual extraímos o seguinte fragmento: “Homossexualidade não é pecado nem doença”. Primeiro ponto: na esquete inteira percebe-se de longe o cuidado de usar “homossexualidade” em lugar de “homossexualismo”, como se o último estivesse incorreto de alguma forma, contextual ou gramatical. Isso é quase uma assinatura de movimentos pró-homossexualismo. Segundo ponto: afirmar que homossexualismo não é pecado seria simplesmente ignorar o que as Sagradas Escrituras nos mostra em Lv 18, 22 ; Lv 20, 13 ; Dt 22, 5 ; I Reis 14, 24 ; I Reis 15, 12 ; Mc 10, 6 e Rm 1, 24-27 sem deixar qualquer tipo de dúvida. A menos, é claro, que as Sagradas Escrituras não possam ser levadas em conta em “Adolescer”, e apresentar esse pensamento a uma geração inteira educada pelo PT e cuja instrução se baseia nos filtros do MEC é algo realmente preocupante.
2-ESTIGMATIZAÇÃO DOS OTAKUS: É curioso que um espetáculo que busque derrubar rótulos faça uso de uma sátira tão clichê quanto os otakus e as otomes, o que acaba por confirmar uma imagem que há muito eles tentam apagar. Apenas dois segundos de coreografia me fizeram pensar “AnimeXtreme”, e de uma forma tão bizarramente infantil que me fez, por um ínfimo instante, até mesmo sentir vergonha de ter 21 anos e ainda apreciar esse mundo. Quase todos os momentos em que algum personagem ligado à cultura japonesa – ou mesmo à própria geração cartoon em geral – aparecia, o mesmo era um exemplo perfeito de retarda infantil vítima de bullying ou simplesmente deixado de lado no grupo grande. Concordo que os fanboys de Naruto estragaram demais a imagem que o mundo tem dos fãs de anime, mas reforçá-lo em “Adolescer” foi, pra dizer o  mínimo, estranho.
3-ABORTO, O ASSUNTO NÃO RESOLVIDO: Durante doze anos de um espetáculo indiscutivelmente bem sucedido, não sei dizer se a intenção de Vanja era dar respostas às questões mais pertinentes da adolescência. Fato é que todas as esquetes apresentadas em cima do palco apresentavam um problema e uma solução, exceto uma: o aborto. Uma possível explicação pra isso talvez esteja no fato de que a apresentação desse tema se deu de forma mais reflexiva se comparado com os outros temas mostrados. E também de maneira bem simples: um casal que se encontra e a menina revela que está grávida. Os dois param e começam a surgir vozes com ideias, gozações e opiniões diversas. Destaco duas: “Se eu fosse tu, eu tirava” e “Tu teria coragem de matar teu próprio filho?”. Os dois lados devidamente mostrados, sem criar nenhuma espécie de debate. Ao fim, o casal foge, sem nenhuma palavra sobre que atitude tomarão no futuro. Alguém poderá argumentar que, em uma cena posterior, a questão do aborto é enfim resolvida: há um grupo em um elevador que sobe até o terraço de um edifício com a intenção de se matar. Dentre eles, um casal em que a menina está grávida. A ascensorista desse elevador, além de resolver as pendências dos outros suicidas, se oferece pra ser a madrinha daquela criança, salvando-a do assassinato. Não posso levar isso em conta como uma solução mostrada pela peça, porque o foco dessa esquete não era o aborto em si. Este simplesmente embarcou na onda dos outros problemas e foi resolvido por uma terceira parte.
Se eu encerrasse meu post por aqui, muitos começariam a pensar que eu não gostei de “Adolescer”. A verdade é que eu sei apreciar um bom trabalho quando eu vejo um. E mesmo tendo as falhas que mostrei anteriormente, considero que “Adolescer” é sim um bom trabalho. A essência pareceu praticamente intocada durante doze anos, sofrendo alterações tão leves que a passagem do tempo não conseguiu atingi-la. Isso é algo a ser admirado. Dito isso, posso passar aos acertos:
1-A COMÉDIA PURA E SIMPLES: Uma fórmula difundida pelo mestre Roberto Bolaños pode ser identificada em “Adolescer”: o humor que se esconde no mais básico do cotidiano. Exceto nos momentos em que era realmente necessário passar pelos baixos da tragédia, o espetáculo se mostrou extremamente satisfatório em se tratando da facilidade do riso. Nesse ponto é preciso dar créditos ao nome de Anderson Vieira, sem dúvida o ponto alto da noite (sem desmerecer, de forma alguma, a excelente atuação do restante do elenco). As comédias visual e verbal casaram de forma harmonicamente perfeita. Mesmo as poucas piadas previsíveis que vi encaixaram de forma tão natural que o público não tinha qualquer outra opção a não ser lavar a alma rindo.
2-VALORIZAÇÃO DA FAMÍLIA: Nessa atualidade, em que constantemente vemos a base familiar ser atacada ao ponto de quase ser desfeita, é um alívio bem-vindo ver uma defesa da parte de um nome tão poderoso. De todas as mensagens visuais que eu já vi, nenhuma expressou tão bem o que é verdadeiramente o Quarto Mandamento posto em prática do que o final de “Adolescer”. Aliás, família foi o assunto mais recorrente na peça inteira. Mesmo com o apontamento dos problemas mais graves encontrados em um casamento e em um núcleo familiar, foi visível que tudo convergia pra um único ponto: o diálogo aberto e o respeito mútuo. O abraço final foi o exemplo perfeito. Nada mais há a ser dito.
Como eu disse antes, se trata das conclusões de um Católico Tradicionalista em um espetáculo aberto à opinião pública. Mesmo sendo ex-ator de teatro (e sentindo sincera saudade do palco), não poderia avaliar “Adolescer” como um expert da arte. A única coisa que posso dizer como fechamento é: se tiver a chance, vá assistir. Então tu mesmo(a) poderá fazer tuas próprias impressões e concordar ou discordar das minhas palavras.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Mais um dia 20 de maio


Temos motivos de sobra pra lembrar do vigésimo dia do quinto mês. Posso citar como exemplos o Primeiro Concílio de Niceia em 325 (com o fim da perseguição aos Cristãos e a criação do Credo Niceno-Constantinopolitano), a chegada de Vasco da Gama a Calecute, na Índia, em 1498, ou mesmo – falando em Vasco da Gama – o milésimo gol de Romário, aquele pênalti contra o Sport, em 2007. Mas eu, particularmente, tenho outros motivos pra ter o dia 20 de maio tão marcado em mim. É algo muito simbólico. Trata-se do dia em que podemos ver a música encontrar as duas pontas do ciclo. O início e o fim. O nascimento e a morte. O aniversário e o funeral. Talvez soe um tanto tétrico, mas eu consigo ver algo de poesia. Pode ser simplesmente por eu ser um fã e conseguir ver algo além das datas. Sim. Mais uma vez Melody e Bee Gees. Agora, porém, com algo muito mais significativo: Maitê Cunha e Robin Gibb.
20 de maio de 1988. Nasce Maitê, uma das vozes mais potentes da música gaúcha e membro de uma banda em ascensão que rapidamente está ganhando as graças do Brasil. Potencial pro sucesso e pro estrelato indiscutível, e reconhecida ao lado de suas irmãs, namorado e amigos por um dos maiores nomes da música nacional. Sua luta começou e ainda há muito o que fazer.
20 de maio de 2012. Morre Robin, uma das vozes mais marcantes da música internacional e membro de uma banda que conseguiu, por três anos, o título de Maior do Mundo. Legado que contribuiu para o maior acervo de composições particulares da história. Reconhecido ao lado de seus irmãos como responsável por uma nova e proeminente cultura. Sua luta terminou e sua herança permanece.
Não saberia dizer se outros dias poderão se tornar icônicos iguais a este dia 20 de maio. Não sei nem se no futuro alguém dará tanta importância quanto a que eu estou dando. Mas se há algo que eu posso garantir, é isso: valerá a pena de um jeito ou de outro. Enquanto nomes importantes como esses continuarem escrevendo esses capítulos no curso da história. Até chegar o dia em que só teremos as lembranças, o coração seguirá cantando, pois a boa música nunca acaba. Os sentimentos por trás das obras nunca mudam. A única coisa que realmente é diferente são os poetas.
           Feliz aniversário, Maitê. Descanse em paz, Robin.

sexta-feira, 21 de março de 2014

O retorno de Veronica

Um dos maiores anúncios do ano passado foi o projeto e a sequente finalização do tão aguardado filme da jovem detetive Veronica Mars. Com muita vergonha confesso que fui um dos muitos fãs que desistiram de ver a loirinha em ação, nem que fosse em uma despedida. A série de TV foi uma das mais impactantes produções já realizadas, comparável em qualidade e técnica com nomes maiores, como “Lie To Me”, “Cold Case” e “Sherlock”. Com toda a certeza, o cancelamento no fim da terceira temporada foi algo triste. Rob Thomas foi um homem valoroso em tentar arriscar o piloto da quarta temporada assim mesmo, pena que foi ignorado. Eis que surge, portanto, a razão e a alma de toda série bem sucedida: os fãs fieis.
Já que ninguém quis bancar o tão falado filme, os próprios fãs se juntaram em uma vaquinha virtual de quase cinco anos, a qual arrecadou perto de seis milhões de dólares. E o resultado chega às telas de cinema nos EUA. Um novo projeto no qual Kristen Bell volta a interpretar a filha de Keith Mars, a garota que conquistava amigos e inimigos por onde quer que passasse. Nós, no Brasil, porém, precisamos amargar aquela velha premissa de não ter todos os privilégios que os vizinhos do norte tem. Não teremos o filme de Veronica Mars nas nossas salas de cinema. Mas a Warner Bros teve a “cortesia” de disponibilizar o filme pra download o mais rápido possível, e a promessa de que em maio teremos o DVD em versão brasileira. Particularmente, acho que é um preço pequeno a pagar depois de anos e anos esperando. Mas Veronica Mars é alguém que merece ser vista na telona em todo o globo. Bem-vinda de volta, srta. Mars.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Sonhos e realidade

A despeito do que muitos acreditam, o fato é que vivemos muito mais de projeções do que de realidade. Só nos damos conta daquilo que é verdadeiro depois de muito tempo sonhando. Como naqueles dias em que acordamos acreditando fielmente que podemos fazer do mundo um lugar melhor e mais feliz, quando na verdade somos apenas estraga-prazeres. E o que fazemos, então? Deixar que eles se destruam em falsas felicidades enquanto jogam na nossa cara que somos péssimos seres humanos, ou seguimos em frente ao mesmo tempo em que nosso coração é dilacerado a ponto de o sentirmos doer a cada passo dado?

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Por que sou Católico

Quem me conhece há algum tempo já sabe que eu sou um dos poucos defensores da Igreja Católica que não se ressente de defender a Fé que segue. Digo isso porque, de fato, somos muito poucos. Há uma comodidade, pelo menos no Brasil, em que os ditos “Católicos” se contentam unicamente em fazer seu próprio Catolicismo – muitas vezes em atrito com Roma – e ignorar o Testamento de Cristo, as últimas palavras de Jesus antes de voltar pra junto de Deus: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16; 15).
Eu tinha uma ideia da Igreja Católica a partir de uma visão que me foi dada de dentro pra fora, visto que me criei em família Católica. Mas mesmo assim percebia algo estranho. Eu via a Igreja como uma verdade absoluta, mas conforme o tempo passava eu me acordava de que alguns detalhes não batiam uns com os outros. Então entrou o fator que considero o mais desastroso até hoje: minha escola. Sim, estudei em uma escola de ambiente Católico, mas meu corpo docente não o era. Aqui é necessário que eu seja justo: até hoje não sei que religião meus professores seguiam e nenhum deles tentou me empurrar ateísmo, comunismo ou qualquer uma dessas coisas goela abaixo. Se tinham alguma preferência, não percebi. O problema todo aconteceu durante meu Ensino Médio, que são os três anos em que mais se ataca a Igreja Católica, em quase todas as matérias.
Me formei no Ensino Médio trazendo comigo um quadro (metaforicamente falando) em que aparecia a Igreja Católica repressora, assassina, retrógrada e mentirosa. Foi a época em que mais tive dúvidas. Ao mesmo tempo, um outro evento aconteceu: um ano antes de prestar vestibular, já tinha definido que a minha meta seria o curso de Jornalismo. Embora hoje eu encha o peito pra dizer que “antes de ser jornalista eu sou Católico”, devo reconhecer que se não fosse por influência do Jornalismo talvez eu não conseguisse descobrir o Catolicismo que vivo hoje. Junte os dois fatores: a época em que mais tive dúvidas sobre a minha Fé e o curso em que mais se prima a pesquisa e a busca pela verdade. E foi o que fiz. Em vez de sair da escola engolindo tudo como verdade incontestável, fui pesquisar a minha Igreja. Vi meus três anos de Ensino Médio desmoronarem na minha frente a cada nova descoberta. Visitei as histórias da Reforma Protestante, da Inquisição na Idade Média, das batalhas diárias do Catolicismo, documentos da Igreja, textos dos Doutores da Igreja… Não só descobri o que realmente é a Igreja Católica, como finalmente entendi como ela sobreviveu ao mundo. Deixei de ser Católico de estatística, sou um Católico de fato. Logicamente, não tenho vergonha nenhuma de dizer que ainda estou em processo de aprendizagem, pois mal raspei a superfície. Mas o que eu vi já me seria suficiente. Continuo em busca de mais conhecimento.
Hoje a Igreja está em um princípio de dificuldade aparente, e eu posso dizer o motivo. Os Católicos de hoje são, além de acomodados, BURROS! Quantos dos que se dizem Católicos hoje sabem reconhecer onde há um abuso litúrgico durante uma missa, ou sabem argumentar corretamente quando a Igreja é atacada? Quantos dos que se dizem Católicos hoje abraçam por completo a Santa Tradição, ao invés de querer escolher o que é melhor seguir (aí se criam monstros morais como “católico pró-homossexualismo”, “católico socialista”, “católico abortista”, afins e afins…)? Quantos dos que se dizem Católicos hoje alguma vez leram os textos dos Doutores da Igreja, ou leram algum documento oficial, ou mesmo param pra ler a Bíblia??? Quantos dos que se dizem Católicos hoje são realmente Católicos?

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Brokenhearted - Banda Melody (letra cifrada)

Voltando a postar sobre a melhor banda nascida em terras gaúchas! Ontem à noite teve mais uma twitcam da promissora Melody. Postei aqui tempos atrás sobre a primeira twitcam do sexteto, evento mais do que especial pra mim. Hoje, porém, me toquei de um detalhe que me entristeceu um pouco: acho que tão cedo nós não teremos as tão sonhadas cifras no site. Eu toco violão há consideravelmente muito tempo, mas ainda sou muito básico. Pego muita coisa de ouvido, mas sempre acordes inteiros. O Guiza faz dedilhados em notas menores que eu não consigo acompanhar. Tive a oportunidade de ver “Brokenhearted” tocada ao vivo e – apesar de ser minha nova música favorita – chorei sangue. Não entendi nada. Prestei mais atenção à própria música e peguei os acordes inteiros. Resta saber se tá tudo correto. No que eu testei, é isso mesmo. Só notei que a melodia, pra mim, está muito melhor pra voz feminina do que pra masculina. Tentei cantar sozinho e só gostei – “gostei” – do resultado quando passei do original em dó pra ré. Não ficou nem próximo do que se consegue com o original, mas foi o que deu. A letra está de acordo com o original encontrado no site oficial da Melody, http://www.bandamelody.com.br

BROKENHEARTED
(Guiza Ribeiro)
Am   Em    F
O       O      O
Am   Em    F
O       O      O
Am   Em    F    C
O       O      O
                                                          Am
I won`t be your little star tonight
                                                     F
I`ll forget you, ´cause it feels alright
                                                   Dm      C
And I`m the brokenhearted tonight
                                                                           Am
Feels like drowning ´cause my dreams were sad
                                                                    F
I can`t believe those things I heard you say
                                                         Dm     Bb
And you`re the brokenhearted tonight
                             Dm                                                                          Bb
I am so alive to fall sick and tired at home (I`m the brokenhearted tonight)
                                                                F               C
I`ll spread my wings and fly, I don`t wanna be alone
Am  Em   F
O      O     O
                                               Am
Everybody in the party sing O
Em   F    Am
O      O
                                                                    Em
Take your friends ´cause I`ll take mine
                                                              F
You want me, I wanna see you try
                                                           
I wanna dance ´cause I`m so alive
                                                                        C
           And you`ll be the brokenhearted tonight